Amores que se perdem


Há determinados tipos de amor que um dia se perdem. Talvez eles nunca deveriam ter acontecido ou se tivessem mesmo que ter ocorrido, foi apenas para nos dar uma lição. E olha que eles ensinam muito bem.

Lembro-me de meu primeiro grande amor como se fosse ontem...

Estávamos no colégio, mas ele quase do outro lado do mundo. Ambos, apesar de jovens e imaturos conhecíamos míseras características do amor propriamente dito, mas não sabíamos colocá-las em prática. Os dias se passaram, ele percebeu que não daria certo e depois de longas datas eu também compreendi. Acabou. E acabou porque tinha que acabar, acabou porque mesmo em um milhão de anos aquilo não daria em nada. Toda aquela fantasia do colegial seria apagada com o passar dos anos e tudo o que nos restaria seriam apenas mais e mais frustrações.

Certa vez ouvi dizer que precisamos viver pelo menos três tipos de amor; não me pergunte quais são eles porque eu não faço a mínima ideia. Mas creio que esse amor que entrou em cena e saiu com tanta rapidez do palco foi um deles. Desses que você precisa quebrar a pontinha do nariz ou quem sabe a cara inteira, sentir uma dorzinha por mais ínfima que seja ou ficar completamente em pedaços. Desses que ele ou eu temos que permitir que nosso pequeno e frágil coraçãozinho seja quebrado e talvez estraçalhado. E somente depois de um amor assim em que muitas vezes nos sentimos espalhados pelos ares como pedaços de papel jogados ao vento é que podemos seguir em frente, depois é claro, de absorver tudo o que tínhamos direito e também tudo o que não tínhamos, mas que fomos obrigados a enfiar goela a baixo.

       Outro amor, esse mais antigo, ensinou-me que esperar por uma pessoa que não te valoriza e realmente não se importa com o que você sente, não é para você. Em dados momentos esses tais amores falam das que se dizem suas amigas com segundas intenções apenas para ver sua reação, e isso diverte a todos. Então você tenta maquiar seus reais sentimentos para que ninguém tire sarro de sua cara; você sorri com eles tentando achar graça onde não tem e até considera-os irmãos, afinal cresceram praticamente juntos. Mas a verdade é que tudo isso é apenas um disfarce. Tais indivíduos não te amaram e muito menos te respeitaram, nem os que se diziam amigos.

       O tempo passa. Felizmente o tempo passa. E quando ele passa, você percebe que cresceu não apenas fisicamente, mas também intelectualmente. Uma grande prova disso é conseguir sorrir de suas aflições passadas percebendo que não passavam de coisas de criança. Chega um dia em que você conhece lugares e pessoas novas e todas aquelas coisas de criança tornam-se somente recordações engraçadas. Por incrível que pareça você se torna amigo das pessoas que um dia te magoaram, até porque, algumas coisas pelo simples fato de terem sido bobas e insolentes, não merecem sua aflição, suas lágrimas e partir daí, conseguimos aprender ainda mais com as coisas ‘ruins’ que teimam em ocorrer ao nosso redor.



           Texto por Anna Izabelle

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