Carta do Futuro - Número 2


Hey honey,

            Espero que esteja tudo bem por aí, porque aqui está tudo ótimo! Neste exato momento me livrei dos meus afazeres editoriais e senti vontade de escrever mais uma vez para minha esposa versão adolescente. Lembrei de alguns episódios hilários há poucos minutos e vou compartilhá-los com você. Foram momentos engraçados e mágicos ao mesmo tempo como quase todos os momentos que passo ao seu lado – é eu sou um marido meio besta, mas você diz amar essa minha parte, então está tudo bem!

            Depois do sábado em que almoçamos em minha casa, duas semanas depois nos encontramos no supermercado. Fui para comprar algumas coisas para a o meu apartamento e outras a mais que minha mãe e meu pai pediram para eu comprar para a casa deles e eu estava bem confuso com a lista que eles haviam me entregado. Enquanto eu procurava um tipo de farinha de trigo sem fermento não percebi que havia alguém se aproximando e assim que achei o que estava a procurar, duas mãos tocaram o mesmo produto e entreolhamo-nos. No mesmo instante procurei mostrar o meu melhor sorriso e eu a vi sorrindo lindamente para mim.

             – Não sabia que você fazia bolos! – Você disse depois de cumprimentarmo-nos.

         – Digamos que às vezes me permito estragar um pacote desses inventando alguns pratos! Brincadeira... isso é para a minha mãe! – Sorrimos.

              – Ahh sim! Assim é mais seguro!

              – Com toda certeza!

            Você se prontificou a me ajudar com a lista e quando saímos do supermercado eu a levei até seu apartamento pela terceira vez desde que nos conhecemos. Naquele momento pensei em convidá-la para um encontro, mas por algum motivo misterioso hesitei. Quando você já estava quase fechando a porta eu a chamei, mas a única coisa que consegui dizer foi boa noite pela segunda vez, o que provavelmente a deixou pensando que eu era um idiota.

          Fui embora frustrado e quando deixei as compras na casa de meus pais, nem a janta maravilhosa feita por eles colocou um sorriso em meu rosto. Quando voltei para o meu apartamento pensei em ligar para você, mas então lembrei que eu nunca havia pedido seu número e quando tentei procurar algo em suas redes sociais não encontrei nada além do seu e-mail. Então eu digitei alguns parágrafos sobre como gostei de te conhecer, mas o assunto do encontro ficou de fora.

 Ficamos alguns dias sem nos ver devido ao fato de eu ter viajado com um dos escritores em uma turnê pelo Brasil e quando finalmente voltei para casa, minha secretária da editora disse que eu precisava fazer algumas entrevistas com possíveis editores; ela já havia contatado alguns dos que haviam enviado seus currículos e no dia seguinte eu deveria conhece-los. 

      Na manhã seguinte entrevistei quatro editores, todos já haviam trabalhado na área antes e tinham muito potencial. Quando desocupei fui checar meus e-mails que há dias não fazia isso. Sorri ao ver uma mensagem sua em minha caixa entrada e eu a abri no mesmo instante. Assim que terminei de ler enviei outro e-mail e minutos depois você o respondeu.

Trocamos e-mails até o horário do almoço. Depois eu fui para casa e você disse que deveria se arrumar porque teria um compromisso. Logo pensei que algum engraçadinho já havia lhe convidado para sair e eu perdera minha chance para sempre. Voltei para o meu trabalho checando meus e-mails e mensagens nas redes sociais o tempo inteiro, mas em dado momento tive que me concentrar para entrevistar mais dois candidatos ao cargo de editor. Depois que o primeiro entrevistado saiu, a secretária abriu a porta para deixar o próximo entrar e assim que desviei meu olhar do celular, nossos olhos se cruzaram e senti meu coração acelerar.

Me levantei e tomei sua mão para cumprimentar, mas ao invés de um ligeiro aperto, fiz contato visual e beijei sua mão, o que a deixou sorrindo sem parar e enrubescida. Sentamo-nos e folheei seu currículo. Fiquei impressionado quando li que você dominava além do inglês, o espanhol, francês, italiano e estava a estudar alemão. Além disso você estava apta para o trabalho já que tinha experiência tanto em editoração e também como escritora. 

       Sem falar que se tornar editora era seu sonho há muito tempo. Depois de saber o suficiente sobre sua vida profissional ficamos a conversar sobre outros assuntos e dessa vez não hesitei em pedir seu número de telefone. Por fim eu disse que ligaria para avisar que você seria contratada ou para te convidar para um encontro, ou quem sabe os dois. Você sorriu timidamente o que apenas aumentou meu encanto por você.

Após conversar com alguns funcionários, concluímos que precisávamos de dois editores e eu fiquei imensamente feliz em colocar seu nome na lista dos contratados. Depois da reunião, dois dias após a entrevista nos falamos ao telefone. Você afastou o aparelho do ouvido e começou a gritar loucamente ao saber que fora contratada e logo em seguida pediu desculpa pela postura, mas era compreensível. 

       Na semana seguinte passamos muito tempo juntos enquanto eu instruía você e o outro editor nos serviços da empresa; tempos depois tivemos nosso primeiro encontro com segundas intenções. Foi emocionante! Naquela noite quando te deixei em seu apartamento e nos beijamos pela primeira vez, o que eu sentia por você aumentou e a cada vez que eu a via tinha a certeza de que você fora feita para eu fazê-la imensamente feliz pelo resto de meus dias na terra.

Anna, espero que tenhas gostado desses momentos que passamos juntos, a maior parte deles foram simples, mas penso que fora sua simplicidade e docilidade que contribuiu tremendamente para me conquistar. Eu te amo e sempre amarei!


Com amor,
R.B


Texto por Anna Izabelle

Comentários

  1. Aaaaaaoooowww.. que amorzinhoo.. ♡♡
    Um encanto de carta.. esse R.B. é tao fofo.. rsrsr

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    1. Preciso admitir, ele é mesmo! Mas não é perfeito... entretanto, suas qualidades se sobressaem!!!

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