Seja meu/minha!



Era uma tarde de domingo quando Melissa olhou para David e sorriu. Ele passou a mão no cabelo dela e disse que a gostava muito. Ela sorriu mais uma vez e disse que seus sentimentos eram da mesma forma verdadeiros. Melissa e David ficaram abraçados olhando o pôr-do-sol, ela encostada nele e ele alisando seus cabelos cacheados. Namoraram dois anos, os últimos do ensino médio. Ele passou para engenharia química no sul do país, ela para Direito no centro-oeste. Prometeram continuar com o relacionamento independentemente da distância. E continuaram assim por mais três anos, ainda faltavam dois para a conclusão do curso de ambos e a saudade entre eles era imensa.

No final do quinto ano juntos, as conversas foram ficando escassas, o tempo que antes dedicavam um ao outro era agora preenchido pelas festas da república ou pelas horas de estudos de química molecular ou direito civil avançado. David e Melissa sentiam falta do que tinham, dos momentos em que eles podiam chamam um ao outro para assistir filmes na casa de um dos dois e assim dividiam um saco de pipocas de micro-ondas e beijavam-se loucamente no sofá enquanto os pais dele(a) estavam no trabalho. David passou a olhar para outras garotas, tanto das que fazia o mesmo curso que ele bem como de outros totalmente diferentes. Melissa passou a responder positivamente aos olhares lançados a ela de outros rapazes e olhava para quem lhe aprouvesse.

Ser o mundo um do outro – David e Melissa – não era mais algo real. Era passado. E agora o que ambos queriam, em seus respectivos lados do país era aproveitar o melhor da vida com quem estivesse ao seu lado e não ‘ao lado’ de quem viam a cada seis meses e olhe lá. David terminou o relacionamento de cinco anos. Melissa aceitou. Ela já pretendia fazer isso de qualquer maneira. E eles viveram, cada um a seu modo, tudo o que achavam que tinham que viver. Melissa teve outros quatro namorados. David outros dois relacionamentos sérios. Preferia os passageiros. Ambos construíram suas vidas sem olhar para trás. Eram realmente felizes. Melissa estava noiva quando viu David novamente na cidade em que cresceram juntos. Eles se abraçaram. Sorriram. Relembraram dos momentos maravilhosos que juntos viveram.

Voltaram a se falar há apenas seis meses para o casamento dela. Sentiram falta do que tinham. Ele a queria de volta. Ela ficou confusa com o desenrolar dos fatos, mas sabia o que queria. Se viram de novo quatro meses antes da celebração matrimonial. Ele conheceu uma garota em uma festa e pensou em ter algo sério com ela, mas seus pensamentos voltavam-se apenas a uma pessoa. Melissa decidiu ser sincera com o noivo, afinal estavam juntos há três anos e meio. O noivado foi rompido. Melissa ficou tremendamente triste, mas sabia o que fazer. David soube do rompimento do noivado, mas já estava compromissado com outra.

Anos se passaram. E, em um pôr-do-sol, naquela mesma cidadezinha em que cresceram juntos, se encontraram de novo. Ele havia tido um filho. Ela havia tido dois namorados depois do noivado, nenhum foi para frente. Olharam-se, como há tantos anos atrás e finalmente souberam do porquê de não ter dado certo com ninguém que houve depois do término deles, que queriam apenas curtir a vida acadêmica que, afinal, era única. David pegou a mão de Melissa e, sendo sincero falou acerca dos sentimentos que sempre teve pela mulher à sua frente. Melissa sorriu como naquela tarde de pôr-do-sol. E foi mais que sincera em seus dizeres ao homem que sempre amou.

Volte a ser meu mundo, encha-o de cores. As suas preferidas. E assim, bailaremos nessa dança frenética que é a vida cheia de amores e bem dizeres. Me busque depois de um dia exaustivo no trabalho ou faça massagem nos meus pés quando os mesmos estiverem doendo devido um salto alto desconfortável. Dê o nó em minha gravata que apesar de já ter sido ensinado por tantas vezes pelas mulheres que passaram pela minha vida, ainda assim não aprendi os passos certos. Faça meu prato preferido e divida comigo. Sente-se ao meu lado e venha ser somente minha. Me abrace e seja apenas meu. Não, não precisamos complicar o que deve estar livre de complicações. Se me amas, apegue-se a mim e não a outras que são apenas para passar o tempo. Se me queres, doe-se para mim e seja minha. Não precisa de muitos vislumbres, te prefiro assim, natural. Dessa forma, pintaremos o mundo um do outro ou fundiremos os nossos para que assim, os outros, não venham mais existir em um espaço que pertence somente a você e eu!


Anna Izabelle

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