Eu te amo’s desnecessários
Sempre fui fã de Will Smith, principalmente o papel
hilário que ele faz em Um Maluco no
Pedaço. Percebemos que com o passar do tempo Will se torna um rapaz
promissor para relacionamentos, mas em um dos episódios lembro-me dele dizendo
e repetindo inúmeras vezes para a namorada ao telefone que a amava mais do que
ela amava ele. Isso ainda trocando o “m” de “amo” por “b”, o que fazia o
mordomo Geoffrey, simplesmente revirar os olhos com nojo da forma como ele
dizia “Eu te abo mais”. A cena é
simplesmente engraçada e rolei de rir em 2014 ao assistir a série pela 2ª vez
consecutiva.
A verdade é que depois de pensar bastante e ainda me
apaixonar por um filme britânico esplêndido (About Time / Questão de Tempo),
percebi que dizer que amamos uma pessoa nem sempre é verdade. No filme em
questão, o casal nunca pronuncia que se amam como vemos em outras obras
cinematográficas ou literárias, ao invés deles dizerem, demonstram. E isso é
mais que suficiente para que você enquanto espectador nem sinta falta dessas
três palavrinhas. A forma como falam um com o outro, se olham, brincam ou zoam
com a pessoa amada deixa óbvio que eles se amam e não há necessidade de eles
dizerem a plenos pulmões que se amam e que querem estar ao lado um outro pelo
resto de seus dias.
Pela pouca experiência que já tive e ainda por
observar experiências alheias, expor demais o que sente pelo namorado(a),
marido, mulher ou sei lá o quê; fazer declarações, dar buquê de rosas ou dálias,
cantar uma música romântica nem sempre é essencial. Há casais que são tão
felizes que nem veem a necessidade de expor às outras pessoas o que sente por
ele(a). Eles apenas vivem a vida deles juntos. Aquela vida, simples, singela e
bagunçada – no bom sentido –, de casais que de fato de amam.
Não é novidade que há muitos que declaram o que
sentem, mas as ações são totalmente contrárias às palavras proferidas. Dizem
amar, mas traem a parceira(o) com dezenas de pessoas, batem e não deixam de
brigar por besteiras um dia sequer. Acredito que o amar, seja bem diferente
disso. Não digo que falar o sente seja errado, porque longe de mim o tal do
“desapega”, mas há formas mais interessantes e românticas de dizer que se ama
uma pessoa.
Conversando com uma amiga que morou em um país
estrangeiro, ela disse que um dia certo rapaz fez diversas coisas que mostravam
que ela era importante para ele e que gostava dela, mas quando ele tentou
beijá-la, ela simplesmente se afastou asperamente e disse que ele não poderia fazer
aquilo por nunca ter dito que gostava dela. Ele, com seu sotaque francês
alterou o tom de voz e respondeu à altura. “Ahh
eu não disse que gostava de você, mas demonstrei! Alguns dizem que amam, mas
largam a mulher quando ela engravida, matam a ex namorada(o) quando ela(e)
termina, mas eu estou demonstrando o que sinto e você pouco se importa!”
Creio que isso resume o que eu disse nas linhas anteriores.
Enfim, demonstrar o que sente vale mais do que
proferir palavras vãs, que contém apenas inverdades a fim de iludir quem as
ouve. Mas também tudo na medida certa, falar sobre o que sente é essencial,
desde que isso seja feito de forma acertada. Porque também esconder os
sentimentos da pessoa que está ao seu lado, não faz de ninguém cortês ou mesmo
gentil. Muito pelo contrário.
A arte de amar, envolve renúncia de si para ver outra
pessoa feliz, com cautela, obviamente. Deixar de ser quem é apenas para agradar
terceiros também é idiotice – desculpe-me por tal termo –, além da renúncia,
uma dose “me ame com atos e me ame baixinho, só para nós dois, sem precisar
mostrar ou gritar a todos o tipo de relacionamento que tem ou que pretende
ter”. Alguns Eu te amo’s ditos, são
desnecessários, quando se pode e deve exercer o amor com atos e atitudes de
quem verdadeiramente ama.
Anna Izabelle




👏👏👏👏💖
ResponderExcluir:)
Excluir