Carta do Futuro – Número 12



Olá Anna,
            Como vai? Não tenho escrito para você ultimamente, pois Luiz Henrique tomou boa parte do meu tempo nesses últimos meses. Ontem ele completou seis meses e tem crescido bastante. No começo deu muito trabalho, até porque eu e R.B somos pais de primeira viagem e só trocávamos as fraldas de nosso filho porque eu havia trocado algumas quando trabalhei em um colégio infantil e troquei algumas vezes, então ensinei a ele também.

            Não tive uma licença como as outras mães. No meu tempo livre sempre estava lendo algum manuscrito, respondendo algum e-mail de autor ou resolvendo alguma questão pendente da editora. Vou continuar assim nos próximos meses até Luiz Henrique estar grande o suficiente para eu voltar à ativa de fato. Só preciso ir á editora algumas vezes por semana e confesso que estou amando ter esse tempo livre. Não que eu não goste de ir à editora, mas agora é diferente. Graças a Deus Luiz Henrique é um menino quieto, mas tem seus dias de agitação. Fora isso, tenho bastante tempo para escrever e trabalhar. E o melhor de tudo, em casa.

            É claro que um dia ou outro não faço nada disso, apenas cuido de meu filho. É legal esquecer algumas coisas por ora. R.B ficou um pouco estressado nos primeiros meses. Ele se dedicava a me ajudar com Luiz Henrique, mas eu via o quão cansado ficava após chegar da editora, não tendo dormido quase nada de noite. Por isso tento tirar as coisas mais pesadas dele durante a semana. Mas só na semana. No sábado e domingo ele que acorda de madrugada para trocar o bebê e dar mamadeira.

            É um pouco estanho falar de minha vida assim. Na sua idade eu pouco pensava em me casar e ter filhos. Via isso como uma das últimas coisas que faria na vida. Ainda mais quando me dedicava a criticar as meninas ao redor que se casavam entre os 16 e 19 anos. Achava simplesmente ridícula a ideia de se amarrar a alguém tão cedo, sendo que nem havia sido solteira por muito tempo. O melhor e tudo é que não me casei com nenhuma dessas idades, o que me dá liberdade para achar a ideia ridícula também atualmente.

            Enfim Anna, preciso ir. Tenho muita coisa para fazer, ainda mais agora que Luis Henrique acordou e deve estar com fome ou guardando alguma surpresa na fralda para mim. Falaremo-nos em breve.


Com amor,

Anna do Futuro

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