Bonança
José
e Maria estavam casados há alguns anos e viviam felizes. Dedicavam tempo um
para o outro – apesar da vida corrida –, conciliavam as responsabilidades nos
afazeres de casa e se amavam profundamente boa parte das noites. Às vezes eles
não queriam saber de lavar a louça ou levar o Frodo para passear e discutiam.
Maria sempre brigava quando Raimundo deixava a
toalha molhada na cama, que muitas vezes pensava ser propósito. E ele a chamava
atenção quando ela simplesmente tirava a roupa e jogava em cima de uma cadeira
no quarto, que servia apenas esse fim. Maria era de resmungar e reclamar de
quase tudo. José, com certa paciência respirava fundo e procurava algum meio de
tirar sua amada do sério para vê-la reclamando mais uma vez.
Maria sempre gostou da ajuda de José na cozinha,
principalmente de mandar seu marido lavar as louças ou descascar alhos, cebolas
e cortar os legumes em cubos simétricos que somente ele conseguia. Juntos
faziam diversos pratos e comiam no sofá assistindo alguma séria da Netflix.
Ele achava ótimo estar com ela, principalmente vê-la
comendo um de seus pratos prediletos ou todos eles de uma vez, sem se importar
em estar sexy, somente querendo saciar sua fome. José a achava linda com os
cabelos bagunçados de manhã e ainda quando ela estava lendo em silêncio deitada
de bruços no sofá.
Ela amava vê-lo dirigir. Tanto porque ele gostava e
também porque sem querer, ele possivelmente exalava alguma substância de sua
pele que o deixava ainda mais maculo. Sua concentração era deslumbrante. Maria
também gostava de vê-lo dormir. Muitas vezes acordava primeiro, antes do
despertador tocar e ficava alguns minutos admirando a tranqüilidade de seu
marido.
Ambos não se
completavam. Apesar de serem
diferentes e combinarem em alguns aspectos, eles nunca chegaram a se completar.
José e Maria eram cheios de si, não precisavam de completude e nem buscavam
isso. Pelo contrário... Cada um tinha mania de aumentar no outro o que já possuíam.
Eles viviam na bonança do casamento que com muita
dificuldade construíram até então. Desfrutavam
de tudo o que podiam um do outro, sem exceção das brigas e momentos ruins em
geral. E esses momentos de convivência pacífica eram sempre buscados pelos
dois. E isso era demonstrado em situações simples, como por exemplo, uma carona
de volta para casa.




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